Por que sentimos cólicas menstruais?
Série: Saúde feminina: entre ciclos e fases
Para algumas mulheres, a menstruação chega acompanhada de um desconforto leve no baixo-ventre. Para outras, a dor pode ser intensa, irradiar para as costas e interferir no trabalho, nos estudos ou nas atividades mais simples do dia.
As cólicas menstruais, também chamadas de dismenorreia, estão entre as queixas relacionadas ao ciclo menstrual. Entretanto, embora sejam frequentes, não acontecem da mesma maneira em todas as mulheres.
A explicação envolve substâncias produzidas pelo organismo, contrações do útero e diferenças individuais na resposta à dor. Além disso, em determinadas situações, cólicas intensas podem estar associadas a condições ginecológicas que precisam de investigação.
Afinal, por que o útero provoca dor durante a menstruação? E como reconhecer quando esse desconforto merece atenção?
O que acontece no útero durante a cólica menstrual?
A cada ciclo menstrual, o revestimento interno do útero, chamado endométrio, passa por transformações influenciadas pelos hormônios ovarianos.
Quando não ocorre uma gestação, a redução dos níveis hormonais favorece a descamação desse tecido, que é eliminado durante a menstruação.
Nesse processo, o organismo libera substâncias chamadas prostaglandinas, que participam da resposta inflamatória e estimulam as contrações da musculatura uterina.
Essas contrações ajudam a eliminar o conteúdo menstrual. Entretanto, quando são mais intensas, podem comprimir temporariamente os vasos sanguíneos do útero, reduzindo a disponibilidade de oxigênio para o tecido.
Essa combinação de contrações, menor fluxo sanguíneo e estímulos dolorosos contribui para o aparecimento das cólicas.
Por isso, a dor menstrual não acontece simplesmente porque o sangue está sendo eliminado. Ela está relacionada principalmente à atividade muscular e aos processos bioquímicos envolvidos na menstruação.
Por que algumas mulheres sentem cólicas mais intensas?
A intensidade das cólicas menstruais varia porque diferentes fatores influenciam a produção de prostaglandinas, a resposta uterina e a percepção individual da dor.
Mulheres com dismenorreia primária podem apresentar maior atividade de prostaglandinas durante a menstruação, favorecendo contrações uterinas mais intensas.
Entretanto, a experiência dolorosa não depende exclusivamente dessas substâncias. O sistema nervoso também participa do processamento dos estímulos, e fatores individuais podem modificar a maneira como a dor é percebida.
Além disso, o desconforto pode variar entre ciclos de uma mesma mulher.
As cólicas costumam começar pouco antes ou no início do sangramento menstrual e frequentemente são mais intensas nas primeiras 24 a 48 horas.
Em alguns casos, a dor também pode vir acompanhada de náuseas, diarreia, dor de cabeça ou sensação de indisposição.
Esses sintomas podem estar relacionados aos efeitos das prostaglandinas em outras regiões do organismo.
Cólica menstrual primária e secundária: qual é a diferença?
Nem toda cólica menstrual possui a mesma origem. Na medicina, a dismenorreia é classificada em dois grupos principais.
Dismenorreia primária
É a dor menstrual que ocorre sem uma doença pélvica identificável. Está relacionada principalmente à produção de prostaglandinas e às contrações uterinas.
Geralmente começa durante a adolescência, após o estabelecimento dos ciclos ovulatórios, e pode apresentar mudanças de intensidade ao longo da vida.
Dismenorreia secundária
Nesse caso, a dor está associada a alguma condição ginecológica. Entre as possíveis causas estão endometriose, adenomiose e determinados miomas uterinos.
A dismenorreia secundária pode apresentar características diferentes, como dor progressivamente mais intensa, desconforto fora do período menstrual ou alterações importantes no padrão habitual dos sintomas.
Entretanto, somente a avaliação clínica pode ajudar a diferenciar essas situações e identificar quando são necessários exames complementares.
Quando a cólica menstrual merece investigação?
Embora as cólicas sejam frequentes, a intensidade da dor não deve ser usada como justificativa para ignorar sintomas que comprometem a qualidade de vida.
Alguns sinais merecem atenção:
- Dor incapacitante: quando impede atividades escolares, profissionais ou tarefas habituais.
- Piora progressiva: quando as cólicas se tornam mais intensas ao longo dos meses.
- Dor fora da menstruação: especialmente quando ocorre de maneira persistente.
- Sangramento muito intenso: principalmente quando acompanhado de fraqueza ou tontura.
- Dor durante relações sexuais ou ao evacuar: sintomas que podem justificar investigação de condições como endometriose.
- Mudança repentina no padrão da dor: sobretudo quando o desconforto é muito diferente do habitual.
Dor pélvica súbita e intensa, especialmente quando acompanhada de desmaio, febre, vômitos persistentes ou possibilidade de gravidez, exige avaliação médica urgente.
Reconhecer esses sinais é importante porque nem toda dor menstrual intensa deve ser considerada uma consequência inevitável do ciclo.
O que pode ajudar a lidar com as cólicas menstruais?
O cuidado com as cólicas depende da intensidade dos sintomas, do histórico individual e da presença ou não de condições ginecológicas associadas.
Algumas medidas podem contribuir para o conforto durante o período menstrual:
- Aplicação de calor local: bolsas térmicas mornas na região abdominal podem ajudar a reduzir o desconforto.
- Atividade física regular: exercícios praticados de maneira consistente podem contribuir para a redução da intensidade da dor menstrual em algumas mulheres.
- Movimentos leves: caminhadas e alongamentos podem ser opções conforme a disposição e a tolerância individual.
- Acompanhamento dos sintomas: registrar quando a dor aparece, quanto tempo dura e como interfere na rotina facilita a avaliação profissional.
- Orientação médica: tratamentos farmacológicos, incluindo anti-inflamatórios e determinadas opções hormonais, podem ser indicados conforme a causa e as condições de saúde.
É importante lembrar que essas estratégias não apresentam os mesmos resultados para todas as pessoas.
Além disso, não existe necessidade de insistir em exercícios durante episódios de dor intensa. A atividade física deve respeitar os limites individuais.
O tratamento adequado começa pela compreensão da origem do desconforto, especialmente quando os sintomas são recorrentes ou incapacitantes.
Óleo de prímula e borragem: um cuidado a mais com o bem-estar feminino
Durante o período menstrual, cuidar do bem-estar envolve diferentes aspectos, como alimentação equilibrada, descanso e atenção às necessidades do organismo.
Entre os ingredientes utilizados na suplementação feminina estão os óleos de prímula e borragem, fontes de ácidos graxos como o ácido gama-linolênico (GLA), um tipo de ômega-6 que participa de processos fisiológicos do organismo.
O Óleo de Prímula e Borragem com L-Triptofano da ClinicMais combina esses ingredientes em uma fórmula que pode complementar os cuidados nutricionais de mulheres adultas, conforme suas necessidades individuais.
Embora seja uma opção de suplementação, o produto não substitui uma alimentação equilibrada nem o acompanhamento profissional, especialmente quando as cólicas menstruais são intensas ou recorrentes.
Exercício físico e ciclo menstrual: é preciso mudar a rotina?
Uma dúvida frequente é se a menstruação exige interromper os exercícios ou modificar completamente a rotina de atividade física.
Na maioria das situações, não existe essa necessidade.
A prática regular de exercícios pode ser mantida durante o ciclo menstrual, desde que a mulher se sinta confortável e não apresente contraindicações individuais.
Além disso, pesquisas sobre atividade física e ciclo menstrual mostram que não existe evidência suficiente para recomendar mudanças obrigatórias no treinamento apenas com base nas fases hormonais.
Isso não significa ignorar os sintomas. Mulheres que apresentam cólicas, fadiga ou outros desconfortos podem adaptar a intensidade das atividades conforme suas necessidades.
Portanto, mais importante do que seguir regras rígidas para cada fase do ciclo é observar como o próprio corpo responde e buscar orientação quando os sintomas limitam a rotina.
Cólica menstrual e TPM são a mesma coisa?
Apesar de frequentemente aparecerem em conversas sobre o ciclo menstrual, cólicas e tensão pré-menstrual não são sinônimos.
As cólicas estão relacionadas principalmente às contrações uterinas e à atividade das prostaglandinas durante a menstruação.
Já a TPM envolve um conjunto de manifestações físicas, emocionais e comportamentais que surgem na fase anterior ao sangramento e tendem a diminuir após o início da menstruação.
Algumas mulheres podem apresentar as duas condições, mas os mecanismos e as características dos sintomas não são necessariamente iguais.
Para entender melhor essa diferença e conhecer outros aspectos das mudanças que acompanham o ciclo feminino, confira nosso conteúdo complementar.
Leia também: “TPM e ciclo feminino: como lidar com os sintomas?”
Série | Saúde feminina: entre ciclos e fases
Este é o terceiro artigo da série Saúde feminina: entre ciclos e fases, que acompanha as transformações do organismo feminino desde a adolescência até a maturidade.
Depois de abordarmos a primeira menstruação e os mecanismos envolvidos nas cólicas menstruais, nosso próximo conteúdo vai aprofundar a tensão pré-menstrual e explicar por que seus sintomas podem variar tanto entre mulheres.
Ao longo da série, também vamos explorar saúde das mamas, necessidades nutricionais, saúde urinária, perimenopausa e cuidados relacionados ao envelhecimento feminino.
Conclusão: sentir cólicas é comum, mas sofrer intensamente não deve ser normalizado
As cólicas menstruais acontecem principalmente pela ação das prostaglandinas e pelas contrações uterinas envolvidas na eliminação do endométrio.
Embora esse mecanismo faça parte do ciclo menstrual, a intensidade da dor pode variar consideravelmente e, em determinadas situações, indicar a presença de condições que precisam de investigação.
Compreender a origem das cólicas, observar seu padrão e reconhecer sinais de alerta são atitudes importantes para buscar cuidados adequados.
A menstruação é um processo fisiológico, mas dores que comprometem a rotina merecem atenção, acolhimento e avaliação profissional.
Referências
- Drauzio Varella. Cólica menstrual (dismenorreia). Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/colica-menstrual-dismenorreia/
- G1 — Conteúdo publicitário, Buscopan. Muito além da menstruação: entenda o que é cólica, possíveis causas e como tratá-la. Disponível em: https://g1.globo.com/saude/bem-estar/especial-publicitario/buscopan/noticia/2024/10/07/muito-alem-da-menstruacao-entenda-o-que-e-colica-possiveis-causas-e-como-trata-la.ghtml
- National Library of Medicine — PubMed Central. Artigo científico disponível no repositório PMC (PMC10178419). Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10178419/
- Harvard T.H. Chan School of Public Health — Apple Women’s Health Study. Exploring Exercise Habits by Menstrual Cycle Phase. Disponível em: https://hsph.harvard.edu/research/apple-womens-health-study/study-updates/exploring-exercise-habits-by-menstrual-cycle-phase/
Os conteúdos publicados no Blog da ClinicMais têm caráter exclusivamente informativo e não substituem, em hipótese alguma, a orientação, diagnóstico ou tratamento médico. Nosso objetivo é promover conhecimento sobre saúde, bem-estar e suplementação com base em fontes confiáveis, mas cada organismo é único e requer avaliação profissional individualizada. Em caso de dúvidas sobre sua saúde ou uso de suplementos, procure sempre um médico ou nutricionista de confiança. Nunca interrompa ou adie tratamentos com base em informações obtidas aqui.
Kassiane de Moura
Mais Visualizados
Recentes
Categorias
- #ClinicExplica (117)
- Beleza (45)
- Boa Forma (47)
- Ciência (30)
- Saúde (194)
- Suplementação (112)
- Tendências (20)