© Todos os direitos reservados para Clinicmais.

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
flexibilidade com a idade

Por que perdemos flexibilidade com a idade?

Autor: Kassiane de Moura

Série: Corpo em Movimento

Amarrar os sapatos, alcançar um objeto em uma prateleira alta, olhar para trás ao estacionar o carro ou simplesmente se abaixar para pegar algo no chão. São movimentos tão comuns que dificilmente pensamos na quantidade de músculos, articulações e tecidos envolvidos para realizá-los.

Até que eles começam a exigir mais esforço.

Com o passar dos anos, muitas pessoas percebem que o corpo parece menos flexível. Certas posições ficam desconfortáveis, os movimentos perdem amplitude e atividades antes automáticas passam a exigir mais atenção.

Parte dessas mudanças está relacionada ao envelhecimento. No entanto, perder flexibilidade não acontece apenas porque o calendário avançou. Nível de atividade física, força muscular, tempo em comportamento sedentário e frequência com que movimentamos o corpo também influenciam quanto dessa capacidade conseguimos preservar.

O que significa ser flexível?

Flexibilidade é a capacidade de músculos e outros tecidos permitirem que uma articulação alcance determinada amplitude de movimento.

Ela não deve ser confundida com mobilidade.

Uma pessoa pode ter músculos suficientemente flexíveis para alcançar determinada posição, mas não possuir força ou controle para executar aquele movimento de maneira funcional. Por isso, a mobilidade envolve uma combinação mais ampla de amplitude articular, flexibilidade, força e controle motor.

Na prática, porém, as duas capacidades se complementam. Precisamos delas para agachar, levantar os braços, girar o tronco, caminhar com liberdade e realizar inúmeras tarefas cotidianas.

Por isso, preservar a capacidade de movimento ganha importância conforme envelhecemos.

Por que a flexibilidade diminui com a idade?

Não existe uma única mudança responsável pela sensação de que o corpo ficou mais “duro”. O envelhecimento produz transformações em diferentes componentes do sistema musculoesquelético e, ao mesmo tempo, o estilo de vida pode acentuar ou reduzir parte dessas alterações.

Entre os fatores que ajudam a explicar a perda de flexibilidade estão:

  • alterações nos músculos e tendões, que podem modificar a capacidade de alongamento dos tecidos;
  • mudanças no tecido conjuntivo, que também participa das propriedades mecânicas relacionadas ao movimento;
  • alterações articulares, que podem interferir na amplitude disponível;
  • redução da massa e da força muscular, especialmente quando não há estímulo adequado;
  • menor nível de atividade física, que reduz a variedade de movimentos realizados ao longo do dia;
  • longos períodos sentado ou na mesma posição, que fazem o corpo utilizar repetidamente amplitudes menores.

Portanto, idade e estilo de vida não atuam separadamente. Uma pessoa que continua fisicamente ativa pode apresentar uma trajetória bastante diferente daquela que passa anos movimentando o corpo cada vez menos.

O problema também pode ser usar menos o movimento

Existe um detalhe importante nessa discussão: conforme algumas atividades ficam mais difíceis, existe uma tendência natural de evitá-las.

Se agachar incomoda, a pessoa passa a agachar menos. Se levantar os braços completamente parece difícil, começa a utilizar amplitudes menores. Aos poucos, o repertório de movimentos cotidianos pode ficar mais limitado.

Além disso, a rotina moderna favorece justamente esse comportamento. Passamos horas sentados trabalhando, dirigindo, assistindo à televisão ou utilizando dispositivos eletrônicos.

Isso não significa que permanecer sentado por algumas horas fará alguém “perder a flexibilidade”. O problema está no padrão acumulado: quanto menos variadas forem as posições e os movimentos realizados regularmente, menos oportunidades o corpo terá de utilizar diferentes amplitudes.

Por isso, envelhecimento e inatividade podem acabar caminhando juntos — embora não precisem.

Flexibilidade não é a mesma coisa que alongamento

Outro erro comum é tratar flexibilidade e alongamento como sinônimos.

A flexibilidade é uma capacidade física. O alongamento, por sua vez, é uma das estratégias utilizadas para trabalhar essa capacidade.

Existem diferentes formas de alongar, assim como diferentes objetivos para cada pessoa. Além disso, preservar a capacidade funcional não depende apenas de conseguir alongar determinado músculo.

Força também importa.

Imagine uma pessoa que consegue levar a perna até determinada posição quando recebe ajuda, mas não consegue alcançar ou controlar aquela mesma amplitude sozinha. Existe amplitude disponível, porém falta capacidade ativa para utilizá-la.

É justamente por isso que programas voltados à qualidade do movimento costumam olhar para mais de um componente físico.

É possível continuar flexível depois dos 50, 60 ou 70 anos?

Sim. Embora ocorram mudanças naturais ao longo do envelhecimento, a capacidade física não desaparece automaticamente depois de determinada idade.

O organismo continua respondendo a estímulos.

Atividades que utilizam diferentes amplitudes de movimento, exercícios de força, práticas específicas de mobilidade e alongamentos podem fazer parte de uma rotina destinada a preservar a função física.

Entretanto, isso não significa que todos devam tentar alcançar amplitudes extremas. Ser flexível não é conseguir colocar a perna atrás da cabeça ou reproduzir posições vistas nas redes sociais.

Para a maioria das pessoas, a flexibilidade mais importante é aquela que permite realizar atividades cotidianas com conforto e segurança.

Além disso, necessidades individuais variam. Histórico de lesões, dores, cirurgias, condições articulares e nível atual de atividade devem ser considerados antes de iniciar ou intensificar exercícios.

O que ajuda a preservar os movimentos ao envelhecer?

Não existe um único exercício capaz de impedir todas as mudanças relacionadas à idade. Entretanto, algumas atitudes ajudam a manter o corpo utilizando as capacidades que ainda possui.

Entre elas:

  • movimentar-se regularmente ao longo do dia;
  • evitar permanecer muitas horas seguidas na mesma posição;
  • incluir exercícios que utilizem diferentes amplitudes;
  • trabalhar força muscular de maneira adequada;
  • praticar alongamentos de acordo com as necessidades individuais;
  • aumentar intensidade e amplitude progressivamente;
  • respeitar dores e limitações;
  • procurar orientação profissional quando houver dificuldade para executar movimentos ou histórico de problemas musculoesqueléticos.

Além disso, consistência costuma ser mais importante do que sessões esporádicas muito intensas.

O corpo não precisa apenas de um grande alongamento no fim de semana. Ele se beneficia de oportunidades frequentes para se movimentar.

Sentir desconforto significa que o alongamento está funcionando?

Não necessariamente.

A sensação de tensão durante determinados alongamentos pode ocorrer, mas dor não deve ser utilizada como medida de eficiência. Forçar uma articulação ou insistir em uma posição dolorosa não transforma automaticamente aquele exercício em algo mais eficaz.

Além disso, rigidez persistente, perda importante de amplitude, inchaço, fraqueza ou dor recorrente podem indicar situações que merecem avaliação.

Também é importante observar mudanças repentinas. Quando uma pessoa perde amplitude de movimento de forma significativa ou começa a apresentar dificuldade para atividades que realizava normalmente, não é adequado atribuir tudo simplesmente à idade.

Envelhecer produz mudanças, mas não explica qualquer limitação física.

Ossos também fazem parte de um corpo que se movimenta

Quando pensamos em flexibilidade, músculos e articulações costumam receber quase toda a atenção. Entretanto, eles fazem parte de um sistema musculoesquelético que também depende da saúde dos ossos.

O cálcio é um mineral que auxilia na formação e manutenção de ossos e dentes. Por isso, garantir ingestão adequada desse nutriente ao longo da vida faz parte dos cuidados nutricionais relacionados à saúde óssea.

O CalMais Alga Lithothamnium ClinicMais fornece cálcio proveniente da alga marinha Lithothamnium e pode ser utilizado como complemento da alimentação quando houver necessidade de suplementação.

É importante fazer essa distinção: o suplemento não aumenta a flexibilidade nem substitui exercícios de mobilidade, força ou alongamento. Sua presença neste contexto está relacionada ao aporte de cálcio e à manutenção da saúde óssea, que integra o cuidado com o sistema musculoesquelético.

Conheça o CalMais Alga Lithothamnium ClinicMais

O que realmente faz diferença para envelhecer bem?

Preservar flexibilidade é apenas uma parte de uma questão maior. Com o passar dos anos, força muscular, alimentação, sono, atividade física, saúde óssea e outros hábitos começam a ganhar ainda mais importância para manter autonomia e qualidade de vida.

Em outro conteúdo do Blog ClinicMais, reunimos os principais fatores relacionados a esse processo e explicamos por que envelhecer bem depende muito mais de um conjunto de hábitos do que de uma única estratégia.

Leia “O que realmente faz diferença para envelhecer bem?”

Série | Corpo em Movimento

Na série Corpo em Movimento, investigamos como músculos, articulações, força, flexibilidade e hábitos cotidianos influenciam nossa capacidade de continuar nos movimentando ao longo da vida. Afinal, movimento não está relacionado apenas à prática esportiva: ele faz parte da independência necessária para as atividades mais simples do dia.

Conclusão

Perder alguma flexibilidade ao longo dos anos pode fazer parte das transformações naturais do organismo. No entanto, isso não significa que ficar progressivamente rígido seja um destino inevitável.

Quanto nos movimentamos, quais amplitudes utilizamos, como preservamos a força e quanto tempo permanecemos inativos também interferem na maneira como o corpo envelhece.

Por isso, talvez seja mais útil pensar na flexibilidade não como a capacidade de alcançar posições impressionantes, mas como uma ferramenta para a vida cotidiana.

Abaixar, alcançar, girar, caminhar e levantar-se com liberdade parecem movimentos pequenos. Somados, porém, eles ajudam a construir algo muito maior: a capacidade de continuar fazendo sozinho aquilo que faz parte da própria rotina.

Referências

BBC News Brasil. Conteúdo sobre flexibilidade, mobilidade e envelhecimento. Disponível em:https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5y391m0ze3o

Tua Saúde. A flexibilidade do corpo diminui com o tempo? Algumas regras para manter as articulações saudáveis. Disponível em:https://www.tuasaude.com/news/2026/06/28/a-flexibilidade-do-corpo-diminui-com-o-tempo-algumas-regras-para-manter-as-articulacoes-saudaveis/

G1. Como aumentar sua flexibilidade, a “arma” do corpo para a longevidade. Disponível em:https://g1.globo.com/saude/noticia/2024/09/17/como-aumentar-sua-flexibilidade-a-arma-do-corpo-para-a-longevidade.ghtml

CNN Brasil. Veja 5 passos para manter a mobilidade à medida que envelhece. Disponível em:https://www.cnnbrasil.com.br/saude/veja-5-passos-para-manter-a-mobilidade-a-medida-que-envelhece/

Os conteúdos publicados no Blog da ClinicMais têm caráter exclusivamente informativo e não substituem, em hipótese alguma, a orientação, diagnóstico ou tratamento médico. Nosso objetivo é promover conhecimento sobre saúde, bem-estar e suplementação com base em fontes confiáveis, mas cada organismo é único e requer avaliação profissional individualizada. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, prática de atividades físicas ou uso de suplementos, procure sempre um profissional de saúde de confiança. Nunca interrompa ou adie tratamentos com base em informações obtidas aqui.

Kassiane de Moura
Mais Posts

Deixe um comentário